nua crua a solidão me toma da multidão de espectros frios expectadores pacientes... solitude que me transmuta em pura consistência condição de áurea borboleta... e flutuo entre trincheiras de versos desconexos... ...que desconheço!
desentendimentos vãos... vida de verde musgo liso onde os dias escorregam e a confiança se quebra fratura exposta da alma no pedaço já fissurado desta... (não sei a autoria da figura... sorry!)
Vivo no desalinho na linha segura do trem... que não mais passa... que não mais vem tanto faz ficar, tanto faz sair... da estrada completada, no horizonte jamais atingido...
na fúria do meu surto comum, suportas minha falsa leveza com mãos amáveis proteção inabalável... nos rancores alheios erro, por vezes, os alvos... e se te acerto sem querer, sou eu quem morro... pois mesmo assim, transcende-me em amor compreensão que não compreende mas que aceita! e na sua sombra sou pequena, fragilidade enigmática cristalizada... pueril... na valsa do teu corpo...
DIA É ACELERAÇÃO!!! pulamos etapas, TODAS! mente estratificada meu mundo, um bloco monolito de fria cor de 08 a 80 não vivemos o desenvolvimento desta sentença, equação indiferente que equação? Só resultado...
(NESTE RITMO A ALMA ESTICA, ENCOLHE, ENROLA, Nunca ALCANÇA! mas nos cansa... e como tudo isso cansa!)
"sou minha própria narrativa!" que grande bobagem! narramos a todos nós! toda história anterior, interior construção! célula orgânica tudo habita a minha experiência (...) limite onde? o que é só meu?
nada disso é propositalmente bonito, palavras sem exigência... desejo desconforto amor ódio misantropia afeto arte idiossincrasias sensibilidade tédio... tudo se basta como representação de um mundo externo (meu mundo interno) nada virtual... sem almejar riscos ou risos. Prefiro minha própria verdade que está aí para quem quiser provar... um album de figurinhas não-colecionáveis... com seguidores legítimos que não coleciono, mas que nas minhas palavras veem significações...
(...) e a Lua derrete-se sobre as nuvens espelha as brumas na noite escura torna-a falso-dia aqui, neste mundo entre árvores, entre sonhos... entre decepções... entre vontades conscientes...
(a cada noite, a Lua faz de seu show minha morada fria, mas desejada!)
não serei mártir de palavras vivas... sem rendição expressa! ou entre-linhas vive-se, ou deixa-se corroer por este envoltório profano, tempo plastificado, que nos sufoca e suprime a mente liberta e o desejo de ultrapassarmos a nós mesmos...
A beleza do claro espírito, mil motivos e mil palavras, não forçou a alma ferrosa de obtusa condição tão suficiente de si mesma a reconhecer tamanha nobreza...
Este é o destino de certas flores: nascem para amortecer as garras contra o chão e em milhares de pedaços encerram sua existência - apenas por alguns instantes...
Raízes percorrem as profundezas nutrem o claro espírito de novos gostos, formas aleatórias e os sabores arenosos da alma ferrosa compõem apenas vagas reminiscências, cortes grotescos que o tempo fecha...
(por baixo de nossas armaduras, guardamos cortes profundos, milhares deles até... mas não os tocamos... os perdemos dentro de nós mesmos... em algum lugar de nossas almas.)
verdes campos dança de olhos em jardins noturnos sons que nos embalam para além do horizonte... e no vento quente do verão escuro tecidos sedosos deslizam no ar
movimentos delicados pernas braços ventre olhos todos propositais! e em polifonia oriental, múltiplas culturas distantes... no palpitar grave da percussão em pele quente... da minha dança febril ao cheiro da chuva na terra olhos hipnóticos...
(no limite do que não compreendemos reside coisas preciosas... O que é repulsivo não está no poema, está em si, pois aquilo que lhe parece desconfortável é seu próprio reflexo...) (o que aparentemente é bizarro, possui consciência...)
(para ouvir: Eluveitie - The Cauldron of Renascence)
"Está tudo planejado: se amanhã o dia for cinzento, se houver chuva se houver vento, ou se eu estiver cansado dessa antiga melancolia cinza fria sobre as coisas conhecidas pela casa a mesa posta e gasta está tudo planejado apago as luzes, no escuro e abro o gás de-fi-ni-ti-va-men-te ou então visto minhas calças vermelhas e procuro uma festa onde possa dançar rock até cair"
grama, tapete verde de múltiplos tentáculos, segura o corpo ao chão, enquanto outro corpo comprime contra si evidências de uma alma insolúvel, que jamais se rende e que ao mesmo tempo, já se rendeu e o outro nem sabe...
sabores diversos impregnam as entranhas e o cheiro de noite fresca projeta um ambiente obscuro e fecundo de novas intenções... incontáveis desejos e pensamentos difusos em cada canto do corpo...
o vento orvalhado traz fragmentos de realidade aos corpos perdidos em uma esfera paralela, transmutados em energia única - no limite da sombra da noite e da curva do corpo, só há nos olhos reverência e compreensão... todo resto é sentido, todo resto se funde...