domingo, 28 de fevereiro de 2010

No momento mais agudo de si


Ao leito de tuas imagens,
Minha diversão lisonjeira,
Arrebato-me com definição
Naquelas que te evidenciam
E que por acaso, protagonizo
Nessa sua agudez cravada
De abrir-se sem couraças
Através da parede de vidro
Que de mim te separa...

Entre cúpidas palavras polidas
Tua língua me faz presente
No pensamento aflorado
Do gosto que me aprofunda em si
Em uma gélida noite quente
Sem sossego, amor, te garanto
A mais direta força sente
A entrega de um escravo
Ou uma domagem imponente

A distância, restam os sonhos
Das mãos que suspendem o corpo cálido
E o olhar, que não vaga longe
Te percebe e te reverência
No súbito movimento de te acolher
- sem amarras –
Onde habitam minhas aspirações
Onde ao seu jardim posso converter-me
Naquilo que mais desejas...

4 comentários:

  1. Uma anémona, pode ser?
    Convertes-te?

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  2. pq em uma anemona, Aesis? Por que tão estranha preferência?

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  3. A beleza de uma dor que se insinua no coração... não será esse o poema que nos faz chorar porque a distância teme o que não completa o olhar? E tu, com as tuas palavras rasgas o tecido temporal, aquecendo...
    Gostei:)*

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  4. Sr. J. (srsrsrsr)
    a distância, bem como o tempo, são irremediáveis... mas através destas palavras "rasgadas" transponho-os ao meu modos... e mesmo que apenas num reflexo, o momento existe, em algum lugar do pensamento....

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